VÍDEO: fenômeno ‘maré vermelha’ volta a ser registrado em Ilhabela, no Litoral Norte de SP


Imagens mostram coloração vermelha muito forte no mar da região sul da ilha. Fenômeno acontece quando há proliferação excessiva de algas marinhas. Maré vermelha volta a ser registrada em Ilhabela
Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, voltou a registrar um fenômeno natural conhecido como maré vermelha – assista o vídeo acima.
Maré vermelha – que já havia sido vista na região no início do ano – é o nome dado a uma mancha que aparece na superfície do mar quando há proliferação excessiva de algas marinhas. A recomendação é de que as pessoas evitem se banhar nas áreas com a presença da maré vermelha – veja mais abaixo.
Os novos registros foram feitos nesta terça-feira (26), perto da Ponta Talhada, no sul de Ilhabela, pelo fotógrafo profissional Rafael Mesquita.
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Fenômeno ‘maré vermelha’ volta a ser registrado em Ilhabela, no Litoral Norte de SP
Rafael Mesquita
Desde o início do ano, o fenômeno é monitorado por órgãos ambientais, como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e o Centro de Biologia Marinha da USP (CEBIMar).
A Cetesb informou que técnicos se reuniram nesta quarta-feira (26) para estabelecer os procedimentos para coleta e análise do tipo de micro-organismo que está presente atualmente na região.
Em janeiro, quando o fenômeno teve registro no Litoral Norte de SP pela primeira vez no ano, foi identificada a concentração de ‘mesodinium rubrum’, um tipo de micro-organismo – leia abaixo.
Enquanto aguarda a identificação do micro-organismo que provoca a maré vermelha atual, a Cetesb recomenda que “a população evite nadar ou praticar esportes náuticos em locais com manchas de coloração suspeita, já que algumas pessoas podem apresentar coceiras e irritação na pele”.
O CEBIMar, da USP, também confirmou ao g1 que acompanha a situação e que aguarda as coletas da Cetesb para auxiliar a investigação.
Fenômeno ‘maré vermelha’ volta a ser registrado em Ilhabela, no Litoral Norte de SP
Rafael Mesquita
O que é a maré vermelha
Segundo especialistas, a maré vermelha é o nome dado quando há proliferação excessiva de algas marinhas que formam extensas manchas na superfície do mar.
“A maré vermelha é um nome popular que se dá quando ocorre a proliferação de grande intensidade de um tipo de algas. Isso acontece por conta de alguns processos ambientais, como a temperatura da água, aporte de nutrientes e luz. E isso causa manchas na coluna da água”, explicou Cláudio Barbosa, pesquisador do Laboratório de Instrumentação de Sistemas Aquáticos (LabISA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
No caso do início do ano no Litoral Norte de SP, a maré vermelha foi formada pela concentração de ‘mesodinium rubrum’, micro-organismos que foram encontrados nas águas de São Sebastião e Ilhabela.
O primeiro registro do encontro aconteceu por volta do dia 10 de janeiro deste ano, quando pescadores e barqueiros notaram a coloração avermelhada do mar próximo à Ilha de Alcatrazes.
“Isso acontece quando há uma infestação da população dos micro-organismos marinhos, provocando uma mancha escura na água. Depois que essas manchas se formam, alguns fatores como vento e correnteza as levam para a costa. Tanto que a água do mar de Ilhabela, que normalmente é azul claro, também ficou bem avermelhada”, afirmou André Pardal, pesquisador do CEBIMar que acompanhou o fenômeno no Litoral Norte de São Paulo.
Fenômeno ‘maré vermelha’ volta a ser registrado em Ilhabela, no Litoral Norte de SP
Rafael Mesquita
Riscos
Em alguns casos, a maré vermelha pode representar riscos à saúde humana. Isso porque, a depender da espécie, as algas produzem toxinas que prejudicam o meio ambiente, os animais marinhos e os seres humanos.
O mesodinium rubrum não é considerado tóxico, mas atrai e é consumido por algas tóxicas, que são consumidas por peixes e mexilhões e que, por sua vez, são ingeridas pelos homens.
“Há algas tóxicas que consomem esses micro-organismos e depois são consumidas por mexilhões e outros peixes. Há uns anos rolou até o embargo de consumo de mexilhões, porque quando as pessoas consomem mexilhões com toxinas pode dar uma infecção muito grave. Por isso é importante monitorar esse processo de deslocamento dessas manchas vermelhas”, explicou Cláudio Barbosa, do Inpe.
Além do risco à saúde pública, a maré vermelha também pode ser danosa à vida dos outros animais marinhos – no caso da maré vermelha do Litoral Norte de SP, os pesquisadores constataram que o fenômeno causou a morte de peixes.
“Quando o ciclo de vida dos bilhões de micro-organismos que formam a maré vermelha acaba, eles morrem e, no processo de decomposição, há um consumo muito grande de oxigênio. Como o ecossistema fica com menos oxigênio, alguns animais acabam morrendo”, concluiu André Pardal, do CEBIMar.
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