Mulher que pichou ‘perdeu, mané’ no STF chora e pede perdão a Moraes: ‘minha família sofre’

Débora Rodrigues dos Santos, 39, a mulher que pichou a estátua do STF (Supremo Tribunal Federal) no dia 8 de janeiro de 2023, gravou um vídeo em que, em lágrimas, diz que “não fazia ideia” da gravidade do ato que havia cometido e suplicou que o ministro Alexandre de Moraes, “de todo o coração, se compadecesse” da sua situação. Ela está presa preventivamente desde março do ano passado e aguarda julgamento da sua condenação definitiva.

Débora Rodrigues dos Santos, a mulher que pichou a estátua do STF no dia 8 de janeiro de 2023, afirmou que não 'fazia ideia' do que estava acontecendo no momento - Foto: Reprodução/ND

Débora Rodrigues dos Santos, a mulher que pichou a estátua do STF no dia 8 de janeiro de 2023, afirmou que não ‘fazia ideia’ do que estava acontecendo no momento – Foto: Reprodução/ND

Débora é a mulher que, com um batom, pichou a frase “perdeu, mané” n’A Justiça, escultura localizada em frente ao prédio do STF, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

“Não foi nada premeditado. Eu sou uma cidadã de bem, fui aos atos e não imaginava que ia ser tão conturbado”, disse Débora. “Lá em Brasília, no movimento, eu não fazia ideia do bem financeiro e do bem simbólico daquela estátua”, acrescentou.

Débora argumentou que, enquanto transitava na Praça dos Três Poderes, havia outra pessoa pichando a estátua. Ao ver a mulher passando por perto, teria pedido ajuda porque “tinha a letra feia”. “Eu continuei fazendo a escrita da frase dita pelo ministro Barroso [“perdeu, mané”], relatou. Ela afirma que não chegou a entrar em nenhum dos prédios, tendo circulado apenas do lado de fora.

Presa há dois anos, a mulher que pichou a estátua do STF diz que está afastada da sua família e que isso tem 'causado sofrimento' - Foto: Reprodução/ND

Presa há dois anos, a mulher que pichou a estátua do STF diz que está afastada da sua família e que isso tem ‘causado sofrimento’ – Foto: Reprodução/ND

Mulher que pichou a estátua do STF diz que ‘caiu na fala’ de outra pessoa

Ao argumentar que ela somente pichou a estátua do STF porque estava ajudando outra pessoa, Débora admite que “faltou malícia” da sua parte e que estava apenas tirando fotos dos prédios “quando apareceu esse indivíduo que nunca vi na vida”. “Eu caí nas falas dele, mas nunca fiz nada de ilícito”, afirmou.

“Eu queria pedir, de todo coração, que [Moraes] se compadecesse de mim, porque eu sou uma mãe e essa separação [dos meus filhos] tem feito eles sofrer demais. E eu só queria que soubesse disso, Excelência, porque isso tem feito minha família sofrer demais”, clamou. Débora é casada e tem dois filhos, de 8 e 10 anos.

Veja o vídeo completo:

Débora Rodrigues dos Santos, a mulher que pichou a estátua do STF no dia 8 de janeiro de 2023, diz que se arrepende do ato e pede perdão ao Supremo – Vídeo: Redes sociais/Reprodução/ND

Alexandre de Moraes é relatou do processo que pode condenar a mulher que pichou a estátua do STF a 14 anos de prisão

Débora foi presa preventivamente em março de 2023, dois meses após os ataques de 8 de janeiro, dos quais participou. Natural de Irecê (BA), ela mora em Paulínia (SP) e diz que viajou a Brasília por conta própria após ser convocada para o ato.

Na última semana, a Primeira Turma do STF iniciou o julgamento de Debora. Relator do caso, Alexandre de Moraes votou para condená-la a 14 anos de prisão, sendo 12 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção. Flávio Dino acompanhou o voto de Moraes, deixando o placar 2 a 0.

Entretanto, o ministro Luiz Fux pediu vista, o que significa que ele terá mais tempo para avaliar o caso. Dessa forma, o julgamento está temporariamente suspenso. Além de Fux, ainda faltam os votos de Cármen Lúcia e de Cristiano Zanin.

Se houver um terceiro voto a favor da condenação, uma maioria já estará formada. No entanto, por ser ré primária, ela poderá ter progressão de regime após o cumprimento de um sexto da pena, ou seja, após dois anos e cinco meses.

Como está presa desde 2023, a mulher que pichou a estátua do STF poderá pedir a progressão ao semiaberto ainda este ano, caso cumpra a condicionante de bom comportamento na prisão.

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