Universidade Federal cria tecnologia inovadora para detectar ‘gatos’ na rede elétrica

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A energia elétrica é um recurso cada vez mais importante para a vida moderna; afinal, dependemos dela sobretudo para refrigerar os ambientes e aguentar as temperaturas cada vez mais elevadas. Por conta disso, o preço da energia também subiu nos últimos anos – e muito. Infelizmente, os furtos, popularmente chamados de “gatos”, comprometem as redes de distribuição e pressionam as concessionárias a repassar os custos desse problema para as tarifas.

Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com as empresas Light e TRACEL, e apoio financeiro da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), desenvolveram um equipamento totalmente inovador. O mesmo seria capaz de rastrear ligações clandestinas de energia elétrica. E a boa notícia é que o protótipo funcional já está em fase de testes, aguardando industrialização para ser integrado à rede em larga escala. Continue lendo este artigo do Engenharia 360 para saber mais!

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Imagem divulgação via IG

O problema dos furtos de energia no Brasil

Antes de explorarmos o funcionamento, benefícios e impacto potencial dessa nova tecnologia desenvolvida pela UFF, vamos debater sobre o problema dos furtos de energia no Brasil. Pois bem, essa é uma questão muito grave em nosso país, basta percorrer as ruas das grandes cidades para perceber. Vamos considerar o Rio de Janeiro como exemplo; só em 2023, foram 11,27 milhões de megawatts-hora (MWh) roubados ou desviados. Com isso, não só a concessionária que presta serviço na região foi prejudicada, mas milhares de consumidores, pois as perdas, como bem lembramos antes, são repassadas nas tarifas de energia.

Segundo a prefeitura do Rio, a cada cem imóveis na cidade, trinta e quatro apresentam desvios de energia – e olha, isso tanto em comunidades (favelas) quanto em áreas nobres. E por que essas irregularidades persistem? Talvez por conta da violência urbana e falta de uma infraestrutura policial específica para combater o alto índice de furtos.

Funcionamento do novo rastreador da UFF

O novo rastreador desenvolvido pela UFF é composto por dois módulos principais: um transmissor, instalado no início do ramal, e um receptor, posicionado no medidor do consumidor. Traduzindo, seu funcionamento é baseado na comunicação entre os pontos de medição. É bem simples! A função do transmissor é repassar dados sobre a energia fornecida, enquanto a do receptor é registrar a energia que está sendo consumida. Enfim, basta fazer uma comparação com o faturamento, identificando possíveis furtos por desvios na rede.

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Imagem divulgação via O Globo

De fato, estamos diante de um sistema significativamente melhor do que em comparação aos métodos tradicionais de inspeção. Segundo especialistas, é capaz de aumentar a produtividade em até quatro vezes e a taxa de assertividade em cem por cento. Inclusive, o dispositivo seria capaz de identificar adulteração no medidor, como uso de ímãs ou outras interferências – que são métodos comuns para fraudar a medição de energia. E, ademais, em sistemas trifásicos, os pontos de medição se comunicam por Bluetooth e Wi-Fi, permitindo uma análise precisa e rápida.

“No receptor fica o cérebro do sistema. Ele avalia a existência de desvios e a adulteração do medidor do consumidor, seja ele eletrônico ou eletromecânico. Também emite o Termo de Ocorrência de Irregularidade (TOI) e envia os resultados para a distribuidora via Internet.”, detalhou Henrique Henriques, responsável pelo projeto, ao site IG.

Impacto financeiro e benefícios para o consumidor

Hoje, as fraudes e furtos de energia afetam cerca de trinta a quarenta por cento do faturamento das empresas fornecedoras. Mas, com o novo rastreador, parece que seria possível recuperar uma grande quantidade, reduzindo as tarifas de energia. As inspeções, que antes demoravam entre 15 a 20 minutos, agora seriam concluídas em apenas 3 a 5 minutos – ou seja, uma redução de cerca de 75%.

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Imagem divulgação via IG

Por outro lado, não podemos negar que a implementação em larga escala dessa tecnologia seria bem desafiadora. O primeiro passo é fazer ajustes e homologação do equipamento no INMETRO. Já a expansão da aplicação dependerá das concessionárias – a Light é a detentora hoje dos direitos de comercialização. O problema é que o Brasil ainda investe muito pouco em pesquisa e inovação em comparação a outros países. Por isso, as perspectivas não são boas! O desenvolvimento desse tipo de tecnologia pode levar mais tempo do que a urgência na resolução do problema.

“Se compararmos com o dinheiro investido em universidades na Europa, China, Índia e Estados Unidos, vemos que o investimento aqui ainda é muito baixo. Acho que o fluxo de investimento deveria ser revisto. Talvez uma parceria entre fabricantes e governo poderia compensar essa lacuna, com direitos distribuídos entre os investidores.” sugere Henriques.

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Fontes: IG, O Globo.

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