Os destaques da SP-Arte 2025 e do circuito além da feira

Maior feira de arte do país, a SP-Arte chega este ano à sua 21ª edição ocupando o Pavilhão do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, até o próximo domingo (06.04). Extra-oficialmente, é uma espécie de marco para a abertura do calendário de exposições e, para além disso, funciona como uma espécie de termômetro para avaliar o que se pode esperar do mercado da arte. Este ano, por exemplo, é a primeira vez, depois da pandemia, que o evento volta a reunir um número significativo de colecionadores estrangeiros – são mais de 70 convidados.

E é por esse motivo que os expositores se preparam para mostrar o que há de melhor em seus catálogos, dando ao público a oportunidade de ver uma exposição variada e que inclui obras de nomes promissores a consolidados. Entre os 200 participantes, estão galerias de arte, estúdios de design, instituições culturais, espaços independentes e editoras. E cada um recorre a uma estratégia diferente para atrair atenção.

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Emblemático-84 (1984), obra de Rubem Valentim, no estande da Almeida & Dale.
Foto: Almeida & Dale

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A expografia do estande da Galatea, assinada por Lucas Jimeno Dualde, buscou simular o espaço de uma casa, criando diálogo entre o mobiliário e as obras de arte – na seleção, há artistas de diferentes gerações, partindo de Allan Weber e Carolina Cordeiro a Lygia Pape e Rubem Valentim. Atrai especial atenção a obra Cat nº 9, de Francis Alÿs. Resultado de uma colaboração entre o artista belga e pintores de anúncio, a tela questiona as noções de cópia e autenticidade. 

Já a galeria carioca Flexa, que participa da feira pela primeira vez, optou por exibir exclusivamente obras de artistas mulheres, entre nomes nacionais e internacionais. No projeto intitulado “Mulheres: Tramas da criação”, estão Yayoi Kusama, Judith Lauand, Lygia Pape, Sonia Gomes, Adriana Varejão e Tadáskía. 

Outra estreante é a Yehudi Hollander-Pappi, galeria recém-aberta em São Paulo que surge com o interesse de trazer novos expoentes para a cena, já que a maioria dos artistas do espaço estão em sua primeira representação. Na SP-Arte, no entanto, nomes emergentes do vídeo, da instalação e da performance aparecem ao lado de outros de peso, como o estadunidense Bruce Nauman.

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Foco no design

Em um ano com foco especial para o design, com um aumento no número de expositores neste setor – são 81 contra 71 em 2024 –, há espaço para projetos que mostram a interrelação entre áreas. O LABINAC, fundado pelos artistas Maria Thereza Alves e Jimmie Durham, irá ocupar o estande da Martins & Montero com híbridos entre a escultura e o mobiliário. A galeria traz ainda uma série de fotografias inéditas de Dalton Paula, artista que participou da última Bienal de Veneza e que examina, em sua obra, a representação de corpos negros na diáspora africana.

Outra novidade da feira é a criação do Palco SP-Arte, que prevê uma série de debates sobre mercado e colecionismo, com destaques para as conversas On supporting emerging artists, ou Sobre apoiar artistas emergentes (quinta, 03.04, às 14h), e Incontornáveis, que contará com Antonio Manuel e Ana Maria Maia (sexta, 04.04, às 17h). Próximo ao espaço, também no terceiro andar, estará o lounge do ELLE Deco Brasil Design Awards (EDIDA BR), o evento de premiação da ELLE Decoration Brasil.

O período da feira também é o momento que outros espaços da cidade inauguram exposições importantes. Confira a seguir uma seleção do que poderá ser visitado em São Paulo, além dos destaques da SP-Arte 2025:

Pedro Moraleida Na duvida consulte sao os calvarios da serie Corpo sem orgaos 01 1998​

A obra Na dúvida, consulte, são os calvários, da série Corpo sem órgãos 01 (1998 ), de Pedro Moraleida Bernardes
Foto: Divulgação


Nossa Senhora do Desejo, na Almeida & Dale 

Com curadoria de Lisette Lagnado, a mostra parte de uma homenagem aos 25 anos de morte do artista Pedro Moraleida Bernardes, que viveu até os 22 anos de idade. Sua prática em suportes diversos, como pintura, desenho e experimentos sonoros, abordava de forma frequente temas como o capitalismo, o patriarcado e a saúde mental. Na exposição, os trabalhos do artista aparecem em diálogo com nomes que o influenciaram e outros novos expoentes que apresentam similaridades com a sua poética, como Castiel Vitorino Brasileiro e Lia D Castro.

Até 21 de junho, nos dois endereços da Almeida & Dale.

WALDEMAR CORDEIRO 1925 1973 Viva Maria 1966 Edouard Fraipont

A obra Viva Maria (1966), de Waldemar Cordeiro
Foto: Edouard Fraipont/Divulgação

Encontro/Confronto – Hélio Oiticica e Waldemar Cordeiro, na Pinakotheke

A exposição coloca em paralelo Hélio Oiticica e Waldemar Cordeiro, artistas que fizeram parte dos movimentos neoconcreto e concreto, respectivamente. As 37 obras selecionadas (18 do primeiro, 19 do segundo) serão exibidas frente à frente, mostrando como a produção de cada um defendia caminhos diferente para a arte. Entre os destaques, estão Metaesquemas (1957-58), a bandeira Seja marginal seja herói, de Oiticica, e exemplares da série Popconcreto: Popcreto para um Popcrítico (1964), de Cordeiro.

Até 10 de maio, na Pinakotheke.

220727 Millan acervo ph Ana Pigosso 34 hr

27032025-6.720-280-68 / 24052025-5.328-222-68, na Superfície

Desde 1987, a artista Ana Amorim acumula registros da passagem do tempo e de suas rotinas diárias de vida. Toda sua obra se dá, assim, em torno da observação de sua própria existência, com experiências e deslocamentos que resultam em peças nas quais a separação entre arte e vida parece inexistente. Na exposição, cerca de 20 peças apresentam diferentes rotinas de mapas mentais.  

Até 24 de maio, na Superfície.

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