Apps não negociam e entregadores pensam em nova paralisação

Entregadores e entidades preparam reedição do Breque dos Apps de 2020 | Foto: Agência Brasil
Entregadores e entidades preparam reedição do Breque dos Apps de 2020 | Foto: Agência Brasil

Na última semana, o Startups noticiou a nova edição do Breque dos Apps, uma paralisação nacional de entregadores de aplicativos, que buscam regulamentação e melhores condições de trabalho. A greve aconteceu nos dias 31 de março e 1º de abril e, de acordo com o Comando Nacional do Breque dos Entregadores 2025, mobilizou trabalhadores de mais de 100 cidades.

Apesar de ter gerado um impacto significativo no funcionamento das plataformas (com quedas de até 100% nos pedidos em alguns restaurantes e relatos de consumidores enfrentando atrasos de horas), os entregadores alegam que as empresas não atenderam às reivindicações. Agora, estes trabalhadores se organizam para definir novos passos, com a possibilidade de uma nova paralisação.

Dois lados da mesma moeda

Enquanto os entregadores denunciam a falta de diálogo das empresas e acusam-nas de tentativas de desmobilizar o movimento, o iFood emitiu um comunicado afirmando que “respeitou a paralisação” e que segue “estudando a viabilidade” de reajustes. Confira o anúncio na íntegra:

“O iFood informa que está operando normalmente hoje (02/04/25) e que segue comprometido com o diálogo aberto e transparente com os entregadores. A empresa reafirma seu respeito às manifestações, o que inclui não enviar promoções e outros tipos de incentivo durante os dias de paralisação, 31/03 e 01/04. Além disso, não houve qualquer tipo de penalização para o ‘Score’ e a ‘Saúde da Conta’ dos entregadores que ficaram com o aplicativo desligado ou que tiveram dificuldades para realizar entregas durante o período.

Diante de seu compromisso de manter um canal de diálogo, o iFood se reuniu com nove representantes da categoria, na tarde do dia 31/3, no escritório da empresa em Osasco. Durante a reunião, foram discutidas as principais demandas apresentadas pelo movimento e ficou acordado que o iFood retornará com devolutivas para a categoria. Reforçamos que as demandas apresentadas estão sendo revisadas com atenção e seguimos estudando a viabilidade econômica de um reajuste em 2025, sempre com responsabilidade e equilíbrio para todas as partes envolvidas. Vale ressaltar que não houve qualquer anúncio sobre reajustes”, mencionou a empresa ao Startups.

E agora?

A categoria, no entanto, promete manter a pressão e decidirá os próximos passos em uma plenária marcada para 9 de abril. Até lá, o Comando orienta os entregadores a:

  • Rejeitar corridas abaixo de R$ 8,00 (exceto bike, que deve rejeitar pedidos acima de 3 km);
  • Rejeitar pedidos agrupados, que aumentam o trajeto sem aumento justo no pagamento;
  • Realizar paralisações pontuais, organizadas pelo Comando e comunicadas com algumas horas de antecedência.

De acordo com Edgar Francisco da Silva, presidente da AMABR (Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil) e uma das várias lideranças do Comando Nacional do Breque dos Aplicativos, a precarização do trabalho dos entregadores vai além da remuneração. Diferente de um trabalhador que recebe um salário mínimo e tem direitos como férias, 13º e seguro-desemprego, os entregadores precisam arcar com todos os custos operacionais.

Para Edgar, mesmo quem fatura entre R$ 3 mil e R$ 5 mil por mês, na prática, vê grande parte desse valor ser consumido por gastos com combustível, manutenção da moto e outros custos. Além disso, a carga horária pode ultrapassar 70 horas semanais, sem folgas garantidas ou qualquer tipo de assistência.

Para piorar, benefícios mínimos, como o seguro por acidente oferecido pelo iFood, foram reduzidos recentemente, deixando os trabalhadores ainda mais vulneráveis. Sem segurança financeira ou respaldo, muitos acabam se arriscando em jornadas exaustivas para garantir um ganho mínimo. “Eu mesmo tive sete reuniões com eles, eles não aceitam mexer nada no preço, eles não aceitam fazer nenhum tipo de melhoria para o entregador, muito menos sobre a segurança”, comenta.

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