Alta nos juros pode ser mantida por mais tempo diante de demanda aquecida, diz economista

Fed Sinaliza Cortes nos Juros: como Isso ImpactarГѓВЎ a Economia Brasileira em 2024?

Em entrevista ao canal BM&C News, a economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, analisou os desafios atuais enfrentados pelo Banco Central diante de uma economia brasileira que segue resiliente, mesmo em um ambiente de juros elevados. Segundo a economista, embora a taxa Selic esteja em patamar restritivo, a transmissão da política monetária continua lenta, o que pode demandar juros altos por mais tempo.

O Brasil já tem hoje uma política monetária muito restritiva. A Selic está em 14,25%, o que representa quase nove pontos percentuais acima da inflação. É uma taxa de juros que, de fato, desestimula o consumo”, afirmou Argenta.

A fala de Carla veio após declarações do diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, que demonstrou preocupação com a efetividade da política monetária no Brasil. Galípolo afirmou que a resiliência da economia brasileira pode indicar que os mecanismos tradicionais de transmissão de juros não estejam funcionando da mesma forma que em outros países.

Para Carla Argenta, os mecanismos de transmissão da política monetária no Brasil são historicamente lentos, e esse efeito retardado se dá por questões estruturais. “Nós temos um mercado de crédito muito concentrado, spreads bancários elevados. Tudo isso já é bastante conhecido pelo Banco Central e faz com que a transmissão da política monetária seja mais lenta”, explicou.

Inflação pressiona juros

A economista também destacou o papel da demanda interna na persistência da inflação. “O mercado de trabalho, como o CAGED mostrou na semana passada, segue bastante aquecido. Se temos um mercado de trabalho pujante, com salários reajustados acima da inflação, temos um nível de demanda elevado, e esse ajuste acontece via preços”, afirmou.

Outro ponto de atenção destacado por Argenta é o aumento das concessões de crédito. “Se as famílias estão tomando crédito e consumindo mais, a taxa de juros precisa ser elevada para conter esse movimento. É isso que o Banco Central está tentando fazer, mas é um processo lento e que transpassa também a esfera produtiva”, observou.

Ela reforçou que, enquanto houver forte demanda, as empresas continuarão contratando, produzindo e tomando crédito. “Isso alimenta um ciclo que é nocivo do ponto de vista inflacionário”, completou.

Apesar das críticas indiretas à eficácia da política monetária, Carla defende que o Banco Central siga firme na estratégia. “A autoridade monetária está fazendo o que é possível. O foco agora deve estar em acompanhar de perto os dados de atividade e, principalmente, as expectativas de inflação, que são os principais vetores de atenção hoje”, disse.

Para Argenta, não se trata de “arrefecer a economia a qualquer custo”, mas de cumprir o papel técnico da política monetária em um cenário de alta demanda e capacidade limitada da economia. “Essa não é uma decisão por gosto do Banco Central. É uma necessidade que se impõe pela conjuntura econômica atual”, finalizou.

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